sexta-feira, janeiro 13, 2006

Amar


Amar é estranho! Começa como uma dorzinha de cabeça e depois vai tomando conta de tudo. E ficamos assim, meio inertes, sentindo a invasão, impotentes porque não há o que fazer para evitar, fugir ou reagir.
Amar é como a solidão, algo que vem e nos toma. Só que um é colorido e a outra é cinzenta.
Amar é meio solitário, apesar de tudo. Ninguém entende porque amamos uma pessoa. Só nós mesmos e, às vezes, nem isso.
Ainda bem que é solitário. Imagine o contrário:
- Eu amo o João!
- Obá, eu também vou amá-lo!
- Eu também!
- Eu também!
- E eu, então, vou amá-lo mais ainda!
Seria o caos. Crime passional.

As flores? Belezas, só isso, como sempre!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Um presente especial!

Foto: Venice Palazza Da Mula, de Claude Monet

Ai, a tagarelice é um defeito que me persegue, seja oral, seja escrita.
Mas agora, tenho um motivo especialíssimo para voltar.
Ah! como não ficar vaidosa? como não ser pretensiosa?
Impossível. Esse mundo é cheio de tentações.
Acabo de ganhar um poema. E de quem? Nel Meirelles, nem acredito.



será mar?
ler poemas
é como respirar
orvalho de primavera
em pleno inverno
Nel Meirelles

Fim das festas


Foram-se as festas. O resultado delas foi meio traumático, como vários amigos já sabem: uma queda, uns ligamentos rompidos e 20 dias de pé engessado. Mas, tudo está bem.


Andei conhecendo uns poetas maravilhosos. Há tanta beleza esparramada na rede! Por exemplo, fico sem fôlego lendo o minimalista Nel Meirelles. Para quem gosta, o blog dele é http://www.falapoetica.blogger.com.br//


Ando com umas saudades fundas, uns desejos daqueles meio amalucados que tenho, às vezes, muitas vezes. São bons! Estou viva, viva!


Hoje é o dia da loquacidade. Provavelmente postarei dez vezes. Estou feliz. Sozinha e feliz. Comi 4 bombons para comemorar um sonho que tive. Tão gostoso quanto.

Imagem: Chocolate, de Alfredo Glokel

sábado, janeiro 07, 2006

Sábado


Parodiando o poeta, eu me sacudi toda, como um cão molhado, porque hoje é sábado.
Voltei para a felicidade, porque hoje é sabado.
E irei cantar à tarde toda em mais uma festa (ai, ai, delícia), porque hoje é sábado.
E ainda ontem, estava ganhando presentes de natal! Nunca vou deixar de ser criança neste sentido. Adoro ganhar presentes.
Comprei outro livro "Declínio e queda do Império Romano" do Gibbon. Estou com urticária para começar a lê-lo, mas há uns 30 na fila.
Fiquei comovida com a reação dos meus amigos ao post anterior. Mas, devo esclarecer que foi um momentâneo acesso de desalento provocado por antigas lembranças. Sou essencialmente feliz, quase sempre. Quem, por vezes, não tem uma recaída? Creio que, no meu caso, é o vazio deixado pela falta de amar. Como já disse em algum post perdido por aí, preciso me apaixonar, é como o ar. Por enquanto, estou sem esse alimento vital. Então, algumas dores emergem. Depois passam.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Gavetas


Inicio o ano limpando gavetas, a começar
por aquela que sempre evito.
Abrindo-a, senti-me como aquelas lâmpadas
sem foco que tudo abrangem e nada iluminam.
A confusão da antiga gaveta contaminou meu
coração, desfocou meus olhos. Tantas lembranças,
tantos fatos ligados a essas fotos esbranquiçadas.
Deus, o que será isso? Eu e ele trocando beijos de
sal e sol naquele outro tempo quando a felicidade
era tão simples. Bastava um olhar e carinhos leves.
E essas rosas de papel, recortadas de revistas, que
ele me dava, sem dinheiro para nada mais?
Tantos papéis que não me dizem nada, letras cujo
significado se perdeu em outra vida.
Por que choro? Não quero que antigas lágrimas
retornem aos meus olhos.
Pedaços de seda colorida, restos de carnaval,
cada ano, uma cor, propósitos de sonhos e, ao
lado, essas máscaras cegas, secas pela dor de
um amor que morreu criança.
Um disco meio partido. Não quero olhar, não
quero ver de quem é. A música dói, a música
é cruel. Sei que há flautas nele, agora quebradas.
Meu coração, agora, é como as flautas, quebrado,
mudo, morto.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Ufa!! Aindas as festas


As festas foram realmente adoráveis.
Apenas meus pés não gostaram nada delas.
Mas aquelas sandálias lindas e altíssimas que usei foram realmente maravilhosas.
Apenas os meus pés não gostaram nada delas.
Agora, vou esquecer as festas (até sábado) e começar o ano.
O ano começa perfeito, com belas novidades, com possibilidades, com sonhos. Outros sonhos. Mais sonhos.
E, por eles, vou me embelezar, vou me enfeitar.
Os sonhos são muito sensíveis e devem ser tratados como nuvens, como algodão doce, o que realmente são.

A foto? de Susanne Black. Não tem nada com nada. Apenas um presente que me dei. A beleza, como sempre e a borboleta, que será o meu símbolo neste ano.

domingo, janeiro 01, 2006

BEM VINDO 2006!!!!



Feliz ano novo aos que acordaram em 2006 plenos de vida...
Feliz ano novo a quem não sonega afetos...
Feliz ano novo àqueles que abandonam no passado seus excessos de bagagem e que generosos, ousam a humildade...
Feliz ano novo a todos que despertaram hoje e agradeceram o tido e não havido, maravilhados pelo dom da vida...
Bom ano a quem gosta de feijão....a vida é dádiva, contração do útero, desejo ereto, espírito glutão insaciado de Deus.
Feliz ano novo àqueles que nunca maldizem e que, possuindo a própria língua, poupam palavras e semeiam fragrâncias....
Feliz ano novo a quem se guarda no olhar e, se tropeça, não cai no abismo da inveja nem se perde em escuridões....
Feliz ano novo a quem se recusa a ser tão velho que ambiciona tudo novo: corpo, carro e amor.
Feliz ano a todos que sabem ser gordos e felizes, endividados e alegres, carentes de afago, mas repletos de vindouras fortunas em seus anseios.
Feliz ano novo aos homens ridiculamente adornados, supostos campeões de vantagens; aqueles que nada temem, exceto o olhar súplice do filho e o sorriso irônico das mulheres que não lhe querem.
Feliz ano novo às mulheres que se matam de amor e de dor por quem não merece...
Feliz ano novo para os bêbados que jamais tropeçam em impertinências e para quem não conspira contra a vida alheia.
Feliz ano novo para quem coleciona utopias....
Feliz ano novo para os velhos que não se disfarçam de jovens e o jovens que superam a velhice precoce; seus corações tragam a idade alvíssara de emoções férteis.
Feliz ano novo aos que trazem em si a casa do silêncio...
Feliz ano novo aos que não se ostentam no poleiro da própria vaidade, tratam a morte sem estranheza e brincam com a criança que os habita.
Feliz ano novo aos sonâmbulos que se equilibram em fios...e aos que garimpam luzes nas esquinas da noite.
Feliz ano novo ao Brasil. Conceda-nos Deus a benção de tantos dons, livres de políticos que constroem para si o céu na Terra com a matéria-prima do inferno coletivo.
(FREI BETO - Adaptação)