Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
C. D. de Andrade
Ando por aí, solitária na vida e me entrego.
Meu coração é como uma criança em busca de um brinquedo.
Julgo encontrá-lo em todos, acredito que é aquele o brinquedo
que me encantará e quero tomá-lo, guardá-lo em mim e para mim.
E sempre é névoa.
E sempre é espetáculo, de circo, no início. Depois drama, monólogo, nada.
Cega de sede, crio miragens, chego a tocá-las em sonhos e mais nada.
Às vezes, raios de luz me aquecem, inconstantes e belos.
E, se vão, como sempre vãos.
Imagem: Thiago Rodrigues






