terça-feira, setembro 26, 2006

Visita


Minha amiga mais constante está chegando.
Pressinto-a nas noites insones e nos versos desalentados que se repetem como goteiras de chuva forte, como lágrimas grandes, grossas.
Antevejo-a em páginas trágicas, as únicas que, em sua presença, leio.
Os olhos inúteis para a primavera e a essa dor ao sorrir são prenúncios de uma visita longa, repleta de silêncios.
Quando ela chega, torno-me fragmentos que choram pelos cantos de mim.
Quando ela se acomoda em meu coração, agulha em disco arranhado, aos saltos, apaga a música e interrompe minha dança.
Minha amiga mais provável havia se demorado, quase a esqueço.
Quase esqueço que retorna, retorna sempre.
É manto líquido das lágrimas que insiste em arrancar dos meus olhos,
por algum tempo fechados para a beleza das auroras.

Imagem: Langrenee

segunda-feira, setembro 25, 2006

ANIVERSÁRIO!!!!!



Havia esquecido.
Nesta semana, o blog completou um ano.
Creio que, por intermédio dele eu fui presenteada o ano inteiro com tanto amor e exageros carinhosos, com tantos amigos, tanta beleza, tanto carinho que, mesmo que deixe hoje de escrever aqui, nunca mais estarei vazia.
Ao contrário, estarei para sempre cheia de calor, do calor dessa amizade quem apesar de virtual, é intensa e perfeita.
Obrigada, meus queridos. Muito obrigada.
Sem vocês, eu nada seria.

As fores, como sempre, são presentes meus para mim.

Imagem: Rachel Ruych

domingo, setembro 24, 2006

Necessário olhar

De mim, já sabe as dores,
conhece as lágrimas e lamentos.
De mim, já conhece os vãos e os desvios,
já entende os receios.
Precisa agora, olhar dentro dos meus espelhos,
E neles ver os lampiões e acordes de amor
escondidos dos outros olhos aos quais não se destinavam.
À espera da sua luz, guardei-os cuidadosamente.
Guardei-os dos ventos violentos que agitaram
as cortinas e fizeram tremer as portas trancadas.
À sua espera, escolhi um ventinho calmo e leve para
que continuassem limpos e claros, meus cantos e luzes.
Longa, longa espera.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Amar é trivial?

Falar de amor é trivial?
Foi o que me disseram. Pode ser. Porém, amar é difícil.
Amar não é trivial.
Amar é, antes, saltar em abismos ou provar vinhos desconhecidos.
Não, amar não é fácil.
É, antes, curvar-se à inevitável tempestade, é tornar-se náufrago e querer imergir, entregue, finalmente vencidos todos os limites, abandonadas todas as resistências.
Amar é ansiar pela desordem na alma, no corpo, nos olhos que só querem olhar a miragem do amor.
É atropelar todos os sentidos, confundindo-os em quase delírio.
Amar é delírio.
Amar inebria, entontece, como diz a música.
Por isso, quando amo, as cores do mundo são outras.
Os espaços são imensos se meu amor não está e, mesmo assim, não me cabem, cinzentos.
Mas, se ele chega, todas as luzes se acendem e festas se iniciam.
A consciência do meu amor torna tudo agudo, pungente como bebida amarga e ainda assim, desejada, longamente esperada.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Ainda a primavera


Meu amigo De Propósito deixou-me o poema do Alberto de Aragão e um verso nele se parece muito comigo:


"Quis de novo florir em sonhos e quimeras."

Ando sempre assim florindo,
mesmo que a primavera só venha amanhã.
Ando como flor à espera do sol,
ou borboleta,
indo-me em direção ao vento, distante ainda,
mas que me toca de leve,
embala-me em quimeras, como disse o poeta.
A primavera, mesmo que ainda não esteja,
é perfume e felicidade.
Como flor, anseio por sua chegada.

P.S. Amigos, estou em viagem e com dificuldades pra postar. Por favor, tenham um pouquinho de paciência. Volto já. Beijos e saudades.

domingo, setembro 17, 2006

Primavera

A primavera está ali, na esquina.
Tempo de florir, de sorrir, tempo de colher.
Em um certo poema, contei para quase ninguém
de umas sementes que havia plantado, esperançosa.
Quase todas continuaram sementes. Continuam além de qualquer visão. Não germinaram.
Também andei assim, por muito tempo, em escuridão, em profundezas invisíveis, por trás de paredes escondida.
Agora, crisálida, busco asas para me lançar, quem sabe, a venturosos dias de perfume, ébria talvez de infinitos sentidos, muito além de todos que existem. Talvez, íntima, de amor colorida.
A primavera. É ela que me busca e abre meus recônditos olhos para mundos felizes, quentes como os dias cheios de flores e aromas.
É a primavera que chega a meu coração antes, arca fechada e agora, cálice.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Sonhos

Que seria da vida sem os sonhos,
se estes são o sal dos nossos dias?
Não me culpe, se passo os dias a sonhar.
Se sonho sempre com o amor não sorria, indulgente.
O amor é a própria vida e, como a vida, surpreende, muda e atravessa mares e desertos em busca incessante.
Se também procuro, constante, a beleza na alma das pessoas, não zombe da minha busca, nem desista da sua.
Todas as almas têm sua gênese na beleza da perfeição.
Se a amizade é o que me fortalece, não diga que sou ingênua.
Sem amizade, não há alegria possível, nem certezas.
Sonhos, o amor, os amigos são os ingredientes que tornam a terrível luta mais humana e fortalecem os frágeis homens para seguir em frente.
Tenho amigos. Não tenho amor.
Sonho que meus sonhos se tornam realidade.
Sonho.

Imagem: Juarez Machado