quarta-feira, outubro 18, 2006

Amor tranquilo


Não tema, porque meu amor é tranqüilo.
Não o arrastarei para abismos em saltos no escuro.
Não o deixarei em retornos inesperados.
Antes, estarei aqui, guardada em ninho
para abrigá-lo das dores dos dias e dos medos noturnos.
Antes, embalo-o em mim,
meu frágil amor tão menino.
Imagem: Chagall

segunda-feira, outubro 16, 2006

Comparo-te ao mar

Comparo-te ao mar por tua constância,
Comparo-te ao mar por voltares sempre
e tomar minhas restingas.
Comparo-te ao mar por tragares os medos.
Comparo-te ao mar por tornares sal
o antes insosso.
Comparo-te ao mar, amor,
por me envolveres irremediavelmente,
ilha reencontrada
em teus carinhos avassaladores.
Comparo-te ao mar e seus segredos,
seus claro-escuros a me desafiar.
Comparo-te ao mar porque me perco em tuas cálidas marés
a me arrastar como flor em busca de luz.
O mar, o mar e tuas líquidas mãos,
e eu à deriva mergulhada em teus desejos.
Comparo-te ao mar por seres sempre começo.

sábado, outubro 14, 2006

Nua


Se o tempo é curto ou longo, não me importa.
Hoje resolvi ser feliz, em horas ou meses, por minutos ou dias.
Preparei meu banho de rosas e fiquei pétala, entre outras.
Fiquei por um tempo perfumada; fiquei para sempre macia.
Vesti-me de amarelo com flores abertas, vermelhas
e o espelho me disse, linda!
Por algum tempo, escandalosa, feliz; por muitos meses, colorida.
Nua, nua, disponho-me à entrega. Por um dia, para sempre?
O tempo não me mede, o tempo não me impede de ser sua.

Imagem: Ana Maria Russo

sexta-feira, outubro 13, 2006

Só

Se me escondo assim em letras,
é que a solidão me fez perder
o dom das palavras.




Imagem: Dianne Poinsky

quarta-feira, outubro 11, 2006

Este amor


Viver este amor é ser duas pessoas com incertezas, mistérios e enleios.
É viver caindo em nuvens e indo e vindo em trapézios.
Por este amor, reviravolto-me.
Ah! quem dera fosse em seus braços.

Mas, como o poeta,

"agora espero, agora desconfio, agora desvario, agora acerto".

É isso, o amor. É assim o meu amor. Pêndulo.

Nascendo ao dia começam os tormentos da saudade e da espera. Penso que não vem, que nunca virá mas espero. Espero o dia passar e deliro, pura primavera e flor aberta ao seu amor.

Tantos dias incertos e o mundo opaco e as noites sombrias.

Se, enfim você chega, a madrugada rouba o sol e, fingindo-se manhã, queima-me e inunda o dia.

Imagem: Durwood Zedd

segunda-feira, outubro 09, 2006

Sua ausência

Hoje, tal como Dirceu, posso dizer que mil vezes finjo vê-lo e só a sombra me faz companhia. Entretanto, sonho e assim o tenho, próximo a mim.
Busco-o na paisagem vazia. Nada, nada o traz, nem este lamento de amor, nem a tristeza de minhas mãos ensaiando uma só carícia que me nutrirá a vida inteira.

Indago as sombras, aborreço os dias à sua procura.
Imagino-o aqui e até nas aves o vejo.
Mas são sombras, são dores e a distância que, ao ensejo das horas nuas, dizem sempre que você não está aqui .

domingo, outubro 08, 2006

Ao meu amor

Meu amor,
ofereço-lhe o silêncio manso dos felizes e as manhãs preguiçosas de domingo para, juntos, inventar ternuras.
Apaixonada, entrego-lhe todos os mimos e a tranquila certeza da permanência.
Para você, meu amor, abro caminhos e meu coração à espera de sua cotidiana conquista.
Com você, troco livros, beijos e letras de música.
Tudo com devolução garantida em prazo longuíssimo, enquanto o amor durar. Troco minha solidão com sua presença e algumas flores. Volto-lhe meus carinhos meio embolorados de tanto esperar sua chegada.
De você, quero muito: seus olhos clareando-me e suas mãos em desenhos longos e audaciosos. Quero sua voz e alguma palavra de amor para animar meu dia.
É tudo o que amor precisa.