
Este blog está até parecendo de literatura. Todo dia invento de postar um texto de alguém. Ah! mas, não resisto. Gosto tanto. Não quero perdê-los.
Novidades hoje e daquelas que me deixam assim, meio vaidosa. Fui convidada para participar de um grupo literário na rede. Humm... estou me sentindo a própria Adélia Prado. Há pessoas de todo o país no grupo, inclusive de Goiânia. Já mandei dois textos (poemas meus). Ainda não sei como será a recepção a eles, porque a mim, foi deslumbrante. Uma paparicação total.
Todo mundo na net é bonito? Só eu sou feia? Fico vendo as fotos do pessoal das minhas comunidades no orkut, só tem lindinhos e lindinhas. Os que visitam meu blog e se mostram são todos bonitos, alguns lindos. E eu, ai, ai. Credo!
Agora o texto
OS QUE ESPERAM
Há os que esperam. São os que se deixam ficar imóveis à margem. Ali ficam. Os olhos são opacos, mas é possível, com muito cuidado, descobrir nos seus movimentos lentos e mínimos, cenas rápidas de amor e saudade.
Os que esperam observam, num quedar sem músculos, a nuvem que forma formas de sonhos e objetos de seres e nadas. As nuvens são como grandes deuses de fumaça. Têm seus gostares.
Os que esperam abraçam-se como se fossem duplos em apenas um corpo. Estão sempre abraçados a si mesmos. Podem fazer isto porque esperam. Sentem-se frágeis e fortes ao mesmo tempo, uma coisa depois outra. São os duplos.
Os que esperam ouvem o som do coração e se encantam, pois apesar de tudo, ele se move. Ele tem um movimento que não é bem uma música, é mais uma dança de balanço.
Os que esperam sentem o vento que passa leve e levanta o fiapo de algodão. Ele desenha piruetas errantes antes de ficar preso ao arbusto. Muito curta a vida de um fiapo de algodão. Quanto tempo fica preso um fiapo de algodão no arbusto seco? Talvez muito, como o tempo dos homens. Não, isto é mais do que é possível pensar. A vida do algodão no arbusto é só um tempo.
Os que esperam olham os filhos, além deles. Os seus filhos já chegam com história. Essa história forma um outro filho sem face, grudado aos seus pés e que nunca os abandona. Dão-lhes o nome de sombra.
Os que esperam não têm pressa. São parte da paisagem, que não se conforma por não ter um sentido sem eles, os que esperam. Tudo é muito fugaz. A própria paisagem é uma sucessão de leves arranjos que nunca mais se repetem.
Os que esperam levantam os olhos para o céu mas não perguntam quando.
Os que esperam olham o chão e aceitam o ponto certo onde ficar.
Os que esperam rebuscam saudades, aconchegados ao silêncio. Têm saudades de coisas que sequer conhecem mas que possuem o dom de provocar um arrepio fundo que encrespa a pele.
Os que esperam nunca estão sós. Há sempre, grudando em seu corpo, um silêncio de quem aceita a espera, como aceita o amor que resiste a todo o tempo e vai muito além das suas melhores lembranças.
Quem espera nunca está só, faz parte da solidão de quem passa.
WALDEN CARVALHO
Nenhum comentário:
Postar um comentário