E agora, brinco. Só porque não perco essa mania de rolar em seus braços, de lembrar do suspiro do seu cansaço se desfazendo em meu corpo, dos seus olhos alheios ao fogo, ao vinho que derramamos, seus olhos profundamente perdidos no prazer mais inocente de nossas mãos, agora imóveis, depois da longa sinfonia.Não, não perco essa mania de me sentar aos seus pés, enquanto leio, brinco com uma poesia, versos de amor de grande poeta e tão menor, tão menor que nossa ternura (o que sabem afinal, esses que escrevem?). E sua voz repetindo os versos que dizem "eu te amo", do jeito que os poetas dizem, com flores, corações partidos, ventos, montanhas, rios a desaguar até que o poema termine e sua boca, imitando a minha, beija os lábios mais amados.
Ah! meu amado, não me canso de o buscar e todas as manhãs, os domingos, os dias que hão de vir, que sem você não são dias, não são nada.
Dormindo, acordada, em insônia, em tempos sem fim, perdidas as horas, não me canso de o amar, não me esqueço de brincar de amor, do meu amor por você, sem fim.
Insubmissa, brinco. Busco a menina que você deixou em mim.
Imagem: François Quilici







