domingo, fevereiro 10, 2008

O cruel viajante


Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cecília Meireles

De todo amor que se vai,
fica o gosto,
a arder no céu da boca,
ficam os dias lentos,
cansados dos atos de desfazer
os laços.

Todo amor que se vai
deixa os retratos tortos
(ou talvez apenas buracos)
desgarrados de suas paredes,
como o mesmo coração
de quem ficou.

Todo amor quando se vai,
deixa vazias as madrugadas
e a alma fria.
cessa a melodia,
enche a noite de silêncios
e as gavetas de cartas fechadas.

Imagem: Da Vinci

9 comentários:

Meire disse...

Muito ruim mesmo quando o amor se vai...mas o tempo cicatriza e vem outro amor..e tudo recomeça..
Bjs

Marina Sátiro disse...

A impressão que me dá ao ler os seus poemas é que escreves tão tranqüila, serena, numa "simplicidade" difícil de traspassar para um papel. Revelas o que muitas pessoas sentem, mas que não conseguem demonstrar dessa maneira. Parabéns! Lindos os seus poemas.

Beijos.

mario disse...

É verdade, Saramar. O amor que vai deixa um hiato em nós e as gavetas cheias de recordações. Boa semana, minha amiga.

guto leite disse...

Foi embora nada ... espera que ele volta .. foi só um carnaval .. semana agora a vida recomeça e as coisas voltam ao normal .. rsrsrs .. um beijo enorme do amigo carioca que muito a quer bem .. guto leite

Voodoo disse...

Meu bem,

O amor tão doce, traz em si tanta beleza, e deixa estas marcas na parede, alma da gente, não há lugar mais em mim para cicatrizes.
bjs.

Lino disse...

O amor vai, fica o vazio, que é preenchido por um novo amor. É um ciclo.
Ótimo poema.

Renata disse...

as promessas de amor se vão,o objeto de amor se vai... mas o amor é sempre nosso e dessa forma ele sempre fica...

Angela Ursa disse...

Saramar, a imagem dos retratos tortos tem tudo a ver com o término do amor. Lindo poema!! Beijos da Ursa

Alessandra disse...

esse poema me emudece de verdades e beleza!