segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Sonhos perdidos


Agora, o que vejo no espelho é o traçado longo
dos caminhos por onde andei
e as marcas (tantas) do amor que imaginei e
que não sendo, doeu e ainda dói.

Como dói esse amor inventado
quando a mais funda solidão se muda da alma
para a pele, para os dedos, para os olhos...

Nada distrai o lamento pelo que julguei ser amor
e foi apenas uma senda onde me perdi
por entre espinhos e poucas flores.

Trago as cicatrizes no corpo e, na alma, as dores.

Agora, vivo na semiluz dos solitários,
conversando com o espelho
e esta face estranha
que me impede de esquecer os sonhos.

Imagem: Frank Dicksee

7 comentários:

Cris disse...

Triste e...a calhar.
Beijo grande.

Grace Olsson disse...

é assim que me sinto, querida. Não com relacao ao amor homem -mulher mas quanto ao amor por alguém que vc voa milhares de km e quando cá chega fica perdida á procura, sem saber onde encontrar. E se pergunta a sim mesma do porquê de tanto desvelo e dedicação e onde está a Natureza que me deixou correr tanto para tão pouco...
beijos e dias felizes.

Cristiane Moreira disse...

Oi Saramar, bom dia!!!
Linda poesia

Beijos pra você
Tenha uma ótima quarta!!! :)

Odele Souza disse...

É mesmo Saramar, dói muito um amor inventado...

Um beijo.

Pepe Luigi disse...

Poesia de traço muito pessoal com enorme consequência sensorial e de extraordinária prefeição.

Um grande beijinho

Janaina de Almeida disse...

Triste mas lindo, sincero e verdadeiro.

Mar Arável disse...

Não é mau conversar com os espelhos

Por vazes até aprendemos

a sentir-nos melhor

que o espelho nos diz

outars vezes não