terça-feira, fevereiro 27, 2007

Cuidados

Se deixei o amor sozinho
na banalidade dos dias, perdão.
Aviso os pássaros, solto os cães, acendo os faróis,
até trazê-lo de volta,
protagonista de todas as horas.

Se calei a música e guardei os carinhos
em versos sem ritmo, perdão.
Reabro o cantar, o calor na voz
e espalho papéis pelas ruas.

Se me revelei apenas promessa
e minha alma se tornou inalcançável, perdão.
Reaprendo a soletrar meus desejos
e refaço o futuro para andar ao seu lado.

Mas, não sou um ser de amarras.

Amo com a veste dos pagãos
e dos impuros anjos sem esperança.

Amo como a boca ama o ardor e a doçura,
como o livro ama as mãos que abrem seus segredos.

Não acalente meus sonhos, eu os quero vivos.
Não adormeça em meus olhos, a sede de me soltar
nem engane meus sentidos com o medo de amar.

Não sou um ser de amarras.

Imagem: Bouquereau

7 comentários:

disse...

amo também " como o livro ama as mãos que abrem seus segredos."

mas nunca tinha percebido esse sentimento ... esse movimento ...

José disse...

O perdão tens, mas pouco serve se a si mesmo não perdoar... Beijos, José

Freeman disse...

Fico algum tempo fora do ar e ao retonar a encontro cada vez mais diversa, eclética, multipla, nos seus posts e, agora, nos seus inúmeros blogs!
Entretanto, confesso minha predileção por este, que atiça os nossos sentidos, enobrece a nossa alma e adoça o nosso cotidiano...
Poderia chamar-se também: "Abrindo Corações" ou mesmo "A encantadora de almas"...

Freeman disse...

Doces Saudações, Saramar.

elisabete cunha disse...

Lindo:)

Sueli disse...

Sua inspiração dança o amor em todas os ritmos, Sara. Adoro vir aqui! Bejio grande!

Ursula disse...

Muito lindo esse texto.
Beijos