quinta-feira, março 01, 2007

Fiquei só


Então, fiquei só.
Surda,
finalmente entendi as palavras de ir que andavam pela casa, mudando as cores, cerrando janelas
e se acumulando em mim.
Agora vejo os vazios que, de todos os cantos me acenavam com sua anunciada ausência.
Só. E só agora sei que a claridade nos cômodos era névoa, era gelo, era a neve do engano enterrando nosso antigo amor.
Foi tão leve sua partida!
Só vi que iria quando suspendeu o beijo
e meus olhos enxergaram, por fim,
o cansaço nos seus.
Quase falei, mas a inutilidade das palavras invadiu o momento e apagou todos os sons.
Escolhi ficar com as lembranças e você se foi,
como um segredo meu que se abriu e saiu pelo mundo.


Imagem: Luisa Bardi

10 comentários:

moacircaetano disse...

triste, triste... doído!
mas intensamente belo!

**C@tuli-> disse...

Esse texto me fez lembrar tantos fins... tantas abreviações...
Muito lindo!
Beijos

José disse...

Muito lindo o revelar de um encontro (toda a despedida é o início de um novo encontro) e que deve ser celebrado com muita alegria, assim, e somente assim vejo a triste alegria... Beijos agradecidos, José

PELADUZ disse...

Oi Sara,

Poemas sempre tão lindos.
Sem amantes, o mundo seria Sem cor, talvez, como a vida é sem amar.
bjs

Gena disse...

Olá Saramar, vim até aqui para lhe agradecer a passada em meu Blog e fiquei encantada com seus poemas!
Você tem um jeito singular ao escrever! Gostei muito mesmo. parabéns poeta!
Bju grande e obrigada por sua visita!
Gena

Eärwen Tulcakelumë disse...

Ausência sentida. Venho e mais uma ver bebo as palavras, mas te nunca estamos só.
Pérolas incandescentes de luz.
Eärwen
02.03.07

Júnior Creed disse...

olá, minha linda! aqui estou eu, novamente, tendo a honra de beber dessa fonte inesgotável de poesias e sentimentos. acredito que o peso da solidão seja o mais duro de aguentar, quando o outro vira as costas, não leva consigo apenas a alma, mas o coração de ambas as partes. beijos, tenha um lindo dia!

Angela disse...

Com o silêncio como companhia, as lembranças são o nosso único alimento mas esse alimento é um alimento agridoce que, ora nos faz sorrir, ora nos faz chorar.

Brindas-nos com mais um fantástico texto!

Um grande beijinho querida Saramar.

leila jalul disse...

Saramar, cada texto teu é vinho de bom vinhedo.
Um final de semana alegre.

Jôka P. disse...

Saramar,
embora possa parecer que ando assim meio sumido, estou sempre passando por aqui.
Beijos
Jôka