Confesso que ando cansada de perdas. Algumas, causei, em minha ânsia por atenção; outras me foram impostas. De todas me cansei. Sou fraca, sou triste e não posso mais sustentar essas ausências. Pesam, pesam demasiado em mim e inutilizam meus braços, cegam-me, atrofiam meus desejos, num retorno contínuo a lembranças e sonhos mortos.
Falo daquelas ausências que nunca se completam, que nunca são de verdade porque deixam rastros, traços, rasgos e permanecem, mais presentes, postas quase sob minhas mãos, vazias, tão vazias. E seus cheiros e seus sabores não se vão, não se vão nunca.
Alguém disse que sou feita de escuridão. Mas, concluí que, antes de escuridão, sou feita de ausências, desses pedaços que levaram de mim. Sim, o barro que me constrói vem desses pedaços que me faltam, levados por todos aqueles a quem amei e que mais não estão. São ausências, assim como eu.
Quanto às luzes, busquei-as em outras pessoas. Inutilmente.
Imagem: Rembrandt
15 comentários:
Todas aquelas ausências
que nunca me completaram,
são, sem querer, a essência
dos braços que me arrancaram.
Cansei, sou fraca, sou triste,
mas nada disso me dói.
Os pedaços que me faltam
São o barro que me constrói.
Dizem que as luzes estão dentro de cada um de nós,SARAMAR.
Um dia espero que as minhas acendam,hehehe
Muito obrigado pelas palavras.
Fiquei muito feliz.
Beijo grande!
WOW!
Belíssimo texto...
Belos sentimentos...
Obrigado pela visita e pelas palavras deixadas nos Meus Desvaneios... Cheguei a ficar "sem graça" com o teu comentário...
(:-#)
Beijos carinhosos!
Oi Saramar!
Vc se supera a cada dia. Que texto lindo! Nem tenho palavras para comentar, me emocionei. É ler e sentir...
Parabéns! :)
Um dia lindo para vc.
Bjs,
Ritoca
Saramar,
Encontrará alguém que não se ausente, nunca.
beijos
Saramar, somos também a soma das marcas positivas de tanta gente que encontramos no nosso Caminho. Porisso, alegre-se com sua beleza única, retirando da fraqueza a força para a construção. Muito forte a reflexão "
Os pedaços que me faltam
São o barro que me constrói"
Meu abraço fraterno.
Saramar minha querida invasora...Como é que vc pode escancarar assim minha alma? Seus poemas, escritos, 'Eu amo'...
Liga não, sempre fico assim, boba quando te leio e, ainda mais boba, quando recebo sua visita.
Obrigada amada.
Beijo e beijo
Olá Saramar... o importante é que vc mesmo se deu e nos deu a receita para situações semelhantes: Quanto às luzes, busquei-as em outras pessoas juro que este foi o únco caminho que para mim funcionou e hoje posso dizer que sou um iluminado e feliz.... Busque-as novamente e encontrará a vida!!!!
Ah! Obrigadão pela visita... bjs do seu amigo, ZC
Saramar, eu não sei comentar literatura. Só posso dizer que gosto do leio. Um abraço.
Querida, não resistí. Você é destaque no meu blog hoje. Já disse, quero espalhar você (no bom sentido) rssss
Beijos
Está muito Lya Luft.
Como se pétala magnífica caída e arrastada pelo vento
sobre o chão seco, duro, frio, do silêncio-dor
que veste a solidão de todas as ausências.
Gostei.
Um sentimento de perda muito acentuado, enfatizado. Seria, talvez, rejeição transformado em perda?
Beijos.
Cara Saramar:
Achei muito triste , porém belo como sempre...
Bjs
Buscar, buscar e se não achar... Olhe em torno!!! :-) Beijão!
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