terça-feira, abril 24, 2007

Amor despedaçado



Perdido o amor, vou aos poucos recolhendo
os pedaços de ilusões,
descartando flores mortas,
apagando palavras do meu cansaço de sonhar.
Incorrigível, apego-me a pequenos brilhos daqui e dali, paixão e caminhos que teimavam em se construir
(eu imaginei de pedra, o que era areia).
O amor é arma letal e os iludidos, amando,
nem sabem que os beijos são cordas
ou de mãos que podem sufocar.
O mortal do amor, sem volta, sem ressurreição,
é quando se vai como quem não quer,
sorrateiro deixar de ser,
é ir-se como um sonho de lento acordar,
despertando, quando nem sei se ainda durmo
ou se é o fim que invade a realidade.

E me agarro ao travesseiro como se nele estivesse ainda
tudo que minha alma guardou.
E é apenas, pena,
penas do travesseiro rasgado de lágrimas,
em vôo breve pelo meu quarto vazio.
Perdido o amor, é o que resta,
esta ilusão de pássaro que nunca chegou a voar.

13 comentários:

Cris disse...

Saramar querida, Bom Dia!
Vim agradecer e retribuir a sua adorável visita...Obrigado!
Lindo poema, como sempre...falar de amor ´´e sublime...e vc faz isso muito bem!
Tem pos tnovo e vc como grande artista que é, sei que vai gostar...se puder, apareça tá?
Bjão, Crissssssssssss...

adelaide amorim disse...

Gosto de verdade de seus poemas, Saramar. Assim como dos comentários que você faz. Tenho um blog chamado Umbigo do Sonho, onde costumo deixar crônicas, continhos ou comentários, depois que passei os poemas para o Inscrições. O endereço é www.meublog.net/adelaideamorim
Estive olhando seus outros blogs e as indicações. Vale a pena. Um beijo.

Anne Baylor disse...

Parece-me uma mulher que ama demasiadamente...
Acima de qualquer preceito..
Acima de todos os medos.

BJus

Renata disse...

O amor só é mortal quando nos misturamos completamente com o nosso objeto de amor... Caso contrário, vai-se o objeto mas fica o amor (e a dor)...e fica a gente...

bjos!

Ursula disse...

Lindo! Beijos querida

PELADUZ disse...

Parece-me palavras de despedida, quando tudo que queres é ficar.
Mesmo restando só cinzas, esperas Fênix.
De outra maneira, que graça teria?

Ceci disse...

Saramar, vim me deliciar com seus poemas.
"O mortal do amor, sem volta, sem ressurreição,
é quando se vai como quem não quer,
sorrateiro deixar de ser"
COMO TUDO QUE É HUMANO, as mutações tomam conta do nosso tempo, não há como segurar o que não é. E vc fez uma bela página, retratando esse fogo fátuo. Beijos

Leonardo disse...

Minha doce musa.
Que bom te ler logo de manhã. Estamos em casa, viu?
Abraços.

Anônimo disse...

LINDO,LINDO,LINDO............

:)

ELISABETE CUNHA

cilene disse...

Quando se perde o amor...se perde tambem algo mais...mas sempre vamos em frente...afinal um novo amor pode estar ali

Dono do Bar disse...

É, minha amiga...o amor pode ser uma grande armadilha. O chato é que sempre caímos!

Beijos.
DB.

rubo medina disse...

É, minha querida! Tudo tão efêmero, volátil... Até a rocha (que você imaginava ser a rocha) era um castelo de areia...
Beijos, bom fds.
http://napontadolapis.zip.net
http://dulcineia.blogspot.com

PanÓptica disse...

Amar é dar um pouco de nós que é imenso mundo... Amar é ser maior e de maior se faz a queda, pois de quem dá tudo o que é é a dor, dor de quem verdadeiramente ama, sem barreiras... Esse amor de se ser livre e se prender... Ó ânsia de ilusão!

Belo poema, belas palavras, bela forma genuína de sentir.

Parabéns!

Cumps

PanÓptica